Dezesseis anos atrás uma certa camiseta trazia bordado o seguinte texto de Guillaume Apollinaire:
“Venham até a borda, ele disse.
Eles disseram: Nós temos medo.
Venham até a borda, ele insistiu.
Eles foram.
Ele os empurrou...
E eles voaram”
Éramos jovens quando a vestíamos, mas a mensagem continua ecoando...
E, talvez, ela seja muito mais importante nesta fase da vida daqueles jovens, agora, adultos. Hoje, é preciso não ter medo de voar.
Difícil, não?
Ir até a borda e contemplar o mundo é desafiador!
Será que temos medos de enxergar que nossas possibilidades vão além do horizonte? Que tal só dar uma chegadinha na borda?
Primeiro observe. Depois sinta! E, se ninguém te empurrar, alce voo!
Embora estejamos em um mundo de escolhas amarradas, ainda temos algumas escolhas!
terça-feira, 1 de agosto de 2017
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Contaminados
− Por favor, retire sua senha aqui!
− Por favor, retire sua senha aqui!
A voz é de uma senhora, que grita a todos, como se aquilo fosse vital a
todos no estacionamento.
− Quem é essa velha maluca?
Pergunto a um estranho parado ao meu lado.
− Você ainda não tem senha? Em que mundo você vive? Só quem tem senha
pode passar.
Passar? Pergunto-me o que significa aquela afirmação e o questionamento.
Será que eu deveria saber que precisava de uma senha? Será que eu havia
entendido errado o comunicado? O e-mail dizia que todos deveriam se reunir no
estacionamento, somente isso, não citava senhas, nem nada.
− Mas para que a senha?
− Não acredito nisso. Mas que juventude desinformada temos aqui. Doze
pessoas foram diagnosticadas hoje na empresa, há um surto e o exército veio
ajudar a controlar a situação. A senha é para passar pela triagem. Só assim
eles vão nos liberar. Em que mundo você vive rapaz. Torça para não estar
contaminado.
O exército? Contaminação? O que significa tudo isso? Eu ouvi o som de
sirenes, mas... Doença?
− Me larguem. Me larguem. Socorro! Não deixem eles me levar.
Os berros são da faxineira do segundo andar, que está a cinco metros de
mim. Uma senhora doce e bondosa. Não me contenho e vou para cima dos oficiais. Ando
três metros, sinto uma dor latejante na nuca e depois não lembro de mais nada.
− Esse está liberado. Não sei se o capitão vai querer falar com ele, mas
não precisa mais ficar aqui, pode ir para a casa.
A voz que ouço é fina e carismática. Ao abrir os olhos vejo um homem de
meia idade conversando com um soldado.
−Você acordou, venha comigo.
− Mas...
− Sem conversa, vamos logo, o comandante avisou para ninguém intervir.
Todos sabiam que havia o risco de ter mais contaminados. Para estes não há
esperança. Vamos.
Levanto ainda zonzo
e vou, meio andando, meio arrastado, pelo terceiro sargento. Para onde ele me
carrega é um mistério. Mas o que mais me incomoda é o que acabara de ouvir: não
há esperança para os contaminados...
---x---
Ando pouco, não mais que dez metros, entro em uma barraca e reconheço o
homem postado na minha frente.
− O que você faz aqui?
− Machado pode sair.
O sujeito sai sem dizer uma palavra, então entendo que aquele é o comandante.
Mas ele? Eu o conhecia e não fazia ideia que era um militar. Seu nome era
Lucas, fomos amigos na infância. Na verdade, muito amigos. Éramos como irmãos.
E agora isso? Estou ainda mais confuso.
− Sua cabeça deve estar doendo. Desculpe-me, mas não tive escolha. Dei
ordens para atirar em qualquer pessoa que interviesse ou tentasse fugir.
Derrubá-lo foi o único jeito que achei para evitar que lhe matassem.
Lucas falava apreensivo, bem próximo de mim. A postura de capitão havia
sumido. O que via agora na minha frente era o mesmo garoto com quem jogava
futebol na pracinha do bairro.
− Me matar? Matar qualquer pessoa? Desculpe Lucas, mas ainda não entendi
nada do que está acontecendo aqui. Ouvi falar de contaminação, doença, mortos.
Vi uma boa senhora ser carregada a força. É um ataque biológico, um novo vírus?
Ele me olha apreensivo. Parece não acreditar no que ouviu.
− Então Lucas, me explique porquê de tudo isso.
− O que você faz nessa empresa Miguel? Como pode não saber o que está
acontecendo aqui? Houve um surto na cidade e detectamos que a origem foi na J.
A. Desenvolvimentos Tecnológicos. Isolamos a empresa e estamos examinamos todos
os detalhes de cada funcionário. Como você pode não estar à par dessas
informações?
A história era longa de mais para explicar a ele. Basicamente, ficava
fechado em uma sala com uma pequena janela para uma parede cinza. Só eu e o
computador...
− Simplesmente não sabia de nada, recebi o e-mail e fui ao
estacionamento. Apenas isso.
− Está de sacanagem? A empresa repassou apenas um e-mail para os
funcionários? Estamos lidando com algo sério aqui! A não ser que...
Um soldado entra correndo na sala em direção a Lucas.
− Capitão.
− Sim Silva, pode falar.
− Descobriram algo importante. Alguém. É provável que ele seja do
primeiro grupo de indivíduos contaminados.
− Baixaram sua ficha?
− Sim senhor. Seu nome era Reginaldo Veiga Lambha, 45 anos, Diretor de
Tecnologias em Desenvolvimento, há 12 anos nessa empresa.
Ouço aquela descrição surpreso. Lucas percebe meu olhar de espanto.
− Conhece ele Miguel?
− Sim, esse é o nome do meu chefe.
---x---
− Silva, isolem o sujeito. Quero falar com ele em breve.
O soldado sai do local e fico novamente sozinho com Lucas.
− O que você sabe?
− O que eu sei? Não estou entendo Lucas?
− Qual sua ligação com Lambha? Ele era seu chefe? Próximo a você?
Almoçavam juntos?
− Sim, ele era meu chefe, mas não tínhamos uma relação muito boa... Cada
um na sua, sabe?
− Que alívio ouvir isso Miguel. Você terá que passar por mais algumas
perguntas, mas a ordem é para liberá-lo em seguida.
Fico quase uma hora sendo interrogado por dois militares. Queriam saber
até se tomava o café que meu chefe fazia. Se já tinha ido na casa dele...
Como Lucas prometera, sou liberado e posso voltar para casa...
Mas não. Tenho outro destino... A
primeira “contaminação” foi um sucesso. Sim, tivemos baixas importantes. Mas
eles serão lembrados. É apenas o início da revolução.
Liberdades
A oposição é contra o que?
Até onde o sistema vai no controle?
Total?
Será que não enxergamos!
As supostas liberdades de controles...
Controles
O que não está sobre controle?
Tudo! Tudo!
Somos controlados!
Cada ato. Tudo é controlado.
Não por nós...
Rebeldia...!
sexta-feira, 7 de julho de 2017
O que uma caixa velha tem a ver com a minha despedida da Unesc?
Hoje me despeço de algo que amei à primeira vista e dediquei os últimos dez anos: a Unesc.
Sei que é clichê, mas preciso agradecer, e muito, a todos aqueles com quem aprendi algo. Hoje, quando deixei o Setor de Comunicação Integrada da Unesc, minha vontade era de ir de sala em sala, pessoa a pessoa, abraçar e me despedir. Mas já tinha chorado demais...
Me despeço com várias certeiras e uma delas é que a equipe do Secom fez história na Universidade! Hoje mesmo repassava um feedback de um social media do Rio Grande do Sul, que tem nossas mídias sociais como referência.
Ah, e a CAIXA? Bem, ela estava ali fazia meses. Guardava uns textos da pós que fiz em Comunicação Estratégica e emprestei para uma amiga ler. Estava ali e eu não trazia ela para casa... Ela sabia. Eu... Vamos em frente!
Hoje, a caixa voltou embora comigo.
Sei que é clichê, mas preciso agradecer, e muito, a todos aqueles com quem aprendi algo. Hoje, quando deixei o Setor de Comunicação Integrada da Unesc, minha vontade era de ir de sala em sala, pessoa a pessoa, abraçar e me despedir. Mas já tinha chorado demais...
Me despeço com várias certeiras e uma delas é que a equipe do Secom fez história na Universidade! Hoje mesmo repassava um feedback de um social media do Rio Grande do Sul, que tem nossas mídias sociais como referência.
Ah, e a CAIXA? Bem, ela estava ali fazia meses. Guardava uns textos da pós que fiz em Comunicação Estratégica e emprestei para uma amiga ler. Estava ali e eu não trazia ela para casa... Ela sabia. Eu... Vamos em frente!
Hoje, a caixa voltou embora comigo.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Uno
O amor é algo surpreendente.
Estou longe, mas perto.
Ela está lá... Eu aqui. Mas continuo me sentindo uno.
O amor é simples.
Amo. Sou amado.
Somos uno.
O amor é viver a dois.
Mas pensar uno.
O amor é a exceção matemática.
Quando um mais um não são dois.
O amor é uno. Se não for, não é amor...
Estou longe, mas perto.
Ela está lá... Eu aqui. Mas continuo me sentindo uno.
O amor é simples.
Amo. Sou amado.
Somos uno.
O amor é viver a dois.
Mas pensar uno.
O amor é a exceção matemática.
Quando um mais um não são dois.
O amor é uno. Se não for, não é amor...
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Vá em frente
É cedo ou tarde?
Será no tempo certo...
Pois o tempo só chega quando é tempo. Quando a decisão é tomada. As escolhas decididas.
O tempo ganha seu tempo, tempo a tempo.
Apenas..., Vá em frente!
Será no tempo certo...
Pois o tempo só chega quando é tempo. Quando a decisão é tomada. As escolhas decididas.
O tempo ganha seu tempo, tempo a tempo.
Apenas..., Vá em frente!
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Qual a razão de tudo?
Nascer e morrer...
Seria o meio entre isso tudo a nossa razão?
Mas o queria seria o tudo?
A cada esquina nos encontramos. A cada passo nos aproximamos. Vamos em busca. Em buscas... Sabemos de muitas. Escolhemos outras. Sentimos alguns destinos antes mesmos de percorrer... Mas seria isso mesmo?
A razão de tudo?
Mas, porque tanto duvidar, se é só seguir...
Quem?
Duvide! Mas sem esquecer... Viva!
Seria o meio entre isso tudo a nossa razão?
Mas o queria seria o tudo?
A cada esquina nos encontramos. A cada passo nos aproximamos. Vamos em busca. Em buscas... Sabemos de muitas. Escolhemos outras. Sentimos alguns destinos antes mesmos de percorrer... Mas seria isso mesmo?
A razão de tudo?
Mas, porque tanto duvidar, se é só seguir...
Quem?
Duvide! Mas sem esquecer... Viva!
Vem uma tempestade por aí...
Já posso sentir a turbulência... Meu espírito está angustiado. Algo está muito próximo. Algo que mudará tudo... Todos!
De alguma maneira, eu verei. O que? Como?
Não sei se essas perguntas são as corretas. Talvez ela deva ser: Quem?
Esperei muito. Talvez... Ainda há muito. Mas já sinto. O ar está diferente...
E depois?
Tudo vai mudar.
E só a resposta a pergunta correta saberá sobre o depois...
De alguma maneira, eu verei. O que? Como?
Não sei se essas perguntas são as corretas. Talvez ela deva ser: Quem?
Esperei muito. Talvez... Ainda há muito. Mas já sinto. O ar está diferente...
E depois?
Tudo vai mudar.
E só a resposta a pergunta correta saberá sobre o depois...
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Minhas pegadas
As pegadas na areia eram minhas.
Duas delas.
O suficiente...
Eu caminhei com um destino:
Sem destino.
Mas havia as pegadas...
Não fui em frente,
Sem nunca parar.
Cheguei...
Chegando,
Percebi que eu nunca estive sozinho...
Lembrei das pegadas... Minhas!
Meu ato de esperança!
Duas delas.
O suficiente...
Eu caminhei com um destino:
Sem destino.
Mas havia as pegadas...
Não fui em frente,
Sem nunca parar.
Cheguei...
Chegando,
Percebi que eu nunca estive sozinho...
Lembrei das pegadas... Minhas!
Meu ato de esperança!
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Hoje eu quero ouvir sobre esperança...
Se você, assim como eu, cansou... Que tal falarmos sobre ela.
Mas por onde começar?
Que tal...
Pelo sorriso de um bebê depois de ter enchido a fralda? Ou a cara inocente de uma criança que rabiscou toda a parede da sala?
Que tal começar tendo esperança?
Afinal, não posso ouvir ou falar sobre ela se eu não a tiver...
A esperança mora em cada um! Sabe aquele órgão que bombeia sangue? Ela nasce ali dentro...
E sabe do que mais!? Você. Sim, você! Ela mora em você.
Não, não a criança. A esperança. Embora a esperança seja uma criança feliz e inocente que habita cada um de nós.
Sim, você a carrega.
E, talvez, ela só esteja esperando que você a descubra.
Esperando, a esperança está!
Acorde! Acorde ela! A criança quer brincar...
Mas por onde começar?
Que tal...
Pelo sorriso de um bebê depois de ter enchido a fralda? Ou a cara inocente de uma criança que rabiscou toda a parede da sala?
Que tal começar tendo esperança?
Afinal, não posso ouvir ou falar sobre ela se eu não a tiver...
A esperança mora em cada um! Sabe aquele órgão que bombeia sangue? Ela nasce ali dentro...
E sabe do que mais!? Você. Sim, você! Ela mora em você.
Não, não a criança. A esperança. Embora a esperança seja uma criança feliz e inocente que habita cada um de nós.
Sim, você a carrega.
E, talvez, ela só esteja esperando que você a descubra.
Esperando, a esperança está!
Acorde! Acorde ela! A criança quer brincar...
segunda-feira, 3 de abril de 2017
O que é o medo?
Temos medo...
Mas, o que é o medo?
Medo...
O medo é, porque não, amor.
Digo, sem amor não há medo.
Ele não é a ausência do amor. Nem o excesso.
Ter medo é amar.
Você tem medo de altura porque ama sua vida.
Você tem medo da morte de seus pais porque os ama.
Você tem medo porque você ama!
Não amar também pode ser um medo. Mas se você ama, logo, não deveria temer.
Mas o medo, assim como o amor, não pede licença.
Ele te abraça e te recolhe, enquanto o amor acolhe.
Sutil diferença entre o medo e o amor. Mas enorme...
Prefiro amar... Logo, tenho medo.
Mas, o que é o medo?
Medo...
O medo é, porque não, amor.
Digo, sem amor não há medo.
Ele não é a ausência do amor. Nem o excesso.
Ter medo é amar.
Você tem medo de altura porque ama sua vida.
Você tem medo da morte de seus pais porque os ama.
Você tem medo porque você ama!
Não amar também pode ser um medo. Mas se você ama, logo, não deveria temer.
Mas o medo, assim como o amor, não pede licença.
Ele te abraça e te recolhe, enquanto o amor acolhe.
Sutil diferença entre o medo e o amor. Mas enorme...
Prefiro amar... Logo, tenho medo.
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