segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Quando as pessoas cansam de discutir sobre a vida real, sem ter perspectiva alguma de mudança, elas começam a brigar pelo mundo irreal. Elas sabem que não podem mudar o fim, mas como é irreal, elas não se importam com isso e mesmo assim podem chegar ao ponto de duelos de sangue.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Um mundo fantástico

As janelas estão abertas.
Dentro conseguimos ver uma mistura de cores.
Hora rosa, hora azul. Tem o branco e também o vermelho forte.

Vemos a cor azul entrar e sair pela entrada principal.
E o rosa se expandir a ponto de quase estourar. Ops, estourou!? Sim.
Resultado: lá vem uma abertura em meia lua.
O movimento, às vezes, faz até balançar uma das peças brancas que está quase caindo.

E os adultos olham admirados, resmungando silenciosamente: como pode colocar chicletes e pirulito ao mesmo tempo na boca!




sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Prazeres

As bolhas, o vapor... A água está no ponto.
E a erva no local a que pertence!
Mas antes...
Água fria.

Tomada a primeira água. Está na hora do verdadeiro sabor.
A água quente solta um aroma amargo e chamativo.

É hora de matear!



A origem

Individual ou em grupo. O chimarrão é um destes prazeres únicos...

A primeira mateada queimou a língua do moleque.
Mas a vó tinha avisado!
Hoje o moleque não se importa quando queima a língua.
Ele aprendeu... A matear!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Voe passarinho, voe!

Dezesseis anos atrás uma certa camiseta trazia bordado o seguinte texto de Guillaume Apollinaire:

“Venham até a borda, ele disse. 
Eles disseram: Nós temos medo. 
Venham até a borda, ele insistiu. 
Eles foram. 
Ele os empurrou... 
E eles voaram”

Éramos jovens quando a vestíamos, mas a mensagem continua ecoando...
E, talvez, ela seja muito mais importante nesta fase da vida daqueles jovens, agora, adultos. Hoje, é preciso não ter medo de voar.
Difícil, não?

Ir até a borda e contemplar o mundo é desafiador!
Será que temos medos de enxergar que nossas possibilidades vão além do horizonte? Que tal só dar uma chegadinha na borda?
Primeiro observe. Depois sinta! E, se ninguém te empurrar, alce voo!

Embora estejamos em um mundo de escolhas amarradas, ainda temos algumas escolhas!



segunda-feira, 17 de julho de 2017

Contaminados


− Por favor, retire sua senha aqui!
− Por favor, retire sua senha aqui!
A voz é de uma senhora, que grita a todos, como se aquilo fosse vital a todos no estacionamento.

− Quem é essa velha maluca?
Pergunto a um estranho parado ao meu lado.
− Você ainda não tem senha? Em que mundo você vive? Só quem tem senha pode passar.

Passar? Pergunto-me o que significa aquela afirmação e o questionamento. Será que eu deveria saber que precisava de uma senha? Será que eu havia entendido errado o comunicado? O e-mail dizia que todos deveriam se reunir no estacionamento, somente isso, não citava senhas, nem nada.
− Mas para que a senha?
− Não acredito nisso. Mas que juventude desinformada temos aqui. Doze pessoas foram diagnosticadas hoje na empresa, há um surto e o exército veio ajudar a controlar a situação. A senha é para passar pela triagem. Só assim eles vão nos liberar. Em que mundo você vive rapaz. Torça para não estar contaminado.

O exército? Contaminação? O que significa tudo isso? Eu ouvi o som de sirenes, mas... Doença?

− Me larguem. Me larguem. Socorro! Não deixem eles me levar.
Os berros são da faxineira do segundo andar, que está a cinco metros de mim. Uma senhora doce e bondosa. Não me contenho e vou para cima dos oficiais. Ando três metros, sinto uma dor latejante na nuca e depois não lembro de mais nada.

− Esse está liberado. Não sei se o capitão vai querer falar com ele, mas não precisa mais ficar aqui, pode ir para a casa.
A voz que ouço é fina e carismática. Ao abrir os olhos vejo um homem de meia idade conversando com um soldado.
−Você acordou, venha comigo.
− Mas...
− Sem conversa, vamos logo, o comandante avisou para ninguém intervir. Todos sabiam que havia o risco de ter mais contaminados. Para estes não há esperança. Vamos.

Levanto ainda zonzo e vou, meio andando, meio arrastado, pelo terceiro sargento. Para onde ele me carrega é um mistério. Mas o que mais me incomoda é o que acabara de ouvir: não há esperança para os contaminados...


---x---

Ando pouco, não mais que dez metros, entro em uma barraca e reconheço o homem postado na minha frente.
− O que você faz aqui?
− Machado pode sair.
O sujeito sai sem dizer uma palavra, então entendo que aquele é o comandante. Mas ele? Eu o conhecia e não fazia ideia que era um militar. Seu nome era Lucas, fomos amigos na infância. Na verdade, muito amigos. Éramos como irmãos. E agora isso? Estou ainda mais confuso.
− Sua cabeça deve estar doendo. Desculpe-me, mas não tive escolha. Dei ordens para atirar em qualquer pessoa que interviesse ou tentasse fugir. Derrubá-lo foi o único jeito que achei para evitar que lhe matassem.
Lucas falava apreensivo, bem próximo de mim. A postura de capitão havia sumido. O que via agora na minha frente era o mesmo garoto com quem jogava futebol na pracinha do bairro.
− Me matar? Matar qualquer pessoa? Desculpe Lucas, mas ainda não entendi nada do que está acontecendo aqui. Ouvi falar de contaminação, doença, mortos. Vi uma boa senhora ser carregada a força. É um ataque biológico, um novo vírus?

Ele me olha apreensivo. Parece não acreditar no que ouviu.
− Então Lucas, me explique porquê de tudo isso.
− O que você faz nessa empresa Miguel? Como pode não saber o que está acontecendo aqui? Houve um surto na cidade e detectamos que a origem foi na J. A. Desenvolvimentos Tecnológicos. Isolamos a empresa e estamos examinamos todos os detalhes de cada funcionário. Como você pode não estar à par dessas informações?
A história era longa de mais para explicar a ele. Basicamente, ficava fechado em uma sala com uma pequena janela para uma parede cinza. Só eu e o computador...
− Simplesmente não sabia de nada, recebi o e-mail e fui ao estacionamento. Apenas isso.
− Está de sacanagem? A empresa repassou apenas um e-mail para os funcionários? Estamos lidando com algo sério aqui! A não ser que...

Um soldado entra correndo na sala em direção a Lucas.
− Capitão.
− Sim Silva, pode falar.
− Descobriram algo importante. Alguém. É provável que ele seja do primeiro grupo de indivíduos contaminados.
− Baixaram sua ficha?
− Sim senhor. Seu nome era Reginaldo Veiga Lambha, 45 anos, Diretor de Tecnologias em Desenvolvimento, há 12 anos nessa empresa.
Ouço aquela descrição surpreso. Lucas percebe meu olhar de espanto.
− Conhece ele Miguel?
− Sim, esse é o nome do meu chefe.

---x---

− Silva, isolem o sujeito. Quero falar com ele em breve.
O soldado sai do local e fico novamente sozinho com Lucas.

− O que você sabe?
− O que eu sei? Não estou entendo Lucas?
− Qual sua ligação com Lambha? Ele era seu chefe? Próximo a você? Almoçavam juntos?
− Sim, ele era meu chefe, mas não tínhamos uma relação muito boa... Cada um na sua, sabe?
− Que alívio ouvir isso Miguel. Você terá que passar por mais algumas perguntas, mas a ordem é para liberá-lo em seguida.

Fico quase uma hora sendo interrogado por dois militares. Queriam saber até se tomava o café que meu chefe fazia. Se já tinha ido na casa dele...
Como Lucas prometera, sou liberado e posso voltar para casa...

Mas não. Tenho outro destino... A primeira “contaminação” foi um sucesso. Sim, tivemos baixas importantes. Mas eles serão lembrados. É apenas o início da revolução.


Liberdades

A oposição é contra o que?
Até onde o sistema vai no controle?
Total?

Será que não enxergamos!
As supostas liberdades de controles...


Controles

O que não está sobre controle?
Tudo! Tudo!

Somos controlados!
Cada ato. Tudo é controlado.
Não por nós...


Rebeldia...!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O que uma caixa velha tem a ver com a minha despedida da Unesc?

Hoje me despeço de algo que amei à primeira vista e dediquei os últimos dez anos: a Unesc.
Sei que é clichê, mas preciso agradecer, e muito, a todos aqueles com quem aprendi algo. Hoje, quando deixei o Setor de Comunicação Integrada da Unesc, minha vontade era de ir de sala em sala, pessoa a pessoa, abraçar e me despedir. Mas já tinha chorado demais...

Me despeço com várias certeiras e uma delas é que a equipe do Secom fez história na Universidade! Hoje mesmo repassava um feedback de um social media do Rio Grande do Sul, que tem nossas mídias sociais como referência.

Ah, e a CAIXA? Bem, ela estava ali fazia meses. Guardava uns textos da pós que fiz em Comunicação Estratégica e emprestei para uma amiga ler. Estava ali e eu não trazia ela para casa... Ela sabia. Eu... Vamos em frente!

Hoje, a caixa voltou embora comigo.



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Uno

O amor é algo surpreendente.
Estou longe, mas perto.
Ela está lá... Eu aqui. Mas continuo me sentindo uno.

O amor é simples.
Amo. Sou amado.
Somos uno.

O amor é viver a dois.
Mas pensar uno.

O amor é a exceção matemática.
Quando um mais um não são dois.
O amor é uno. Se não for, não é amor...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Vá em frente

É cedo ou tarde?
Será no tempo certo...

Pois o tempo só chega quando é tempo. Quando a decisão é tomada. As escolhas decididas.

O tempo ganha seu tempo, tempo a tempo.

Apenas..., Vá em frente!


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Qual a razão de tudo?

Nascer e morrer...
Seria o meio entre isso tudo a nossa razão?
Mas o queria seria o tudo?

A cada esquina nos encontramos. A cada passo nos aproximamos. Vamos em busca. Em buscas... Sabemos de muitas. Escolhemos outras. Sentimos alguns destinos antes mesmos de percorrer... Mas seria isso mesmo?
A razão de tudo?
Mas, porque tanto duvidar, se é só seguir...
Quem?
Duvide! Mas sem esquecer... Viva!